terça-feira, 28 de outubro de 2008

Para amainar o calor...




Ultimamente tenho sido bastante persistente nas minhas tentativas de convencer o marido a incluir no orçamento umas "coisinhas" para equipar a cozinha.

Algumas são até razoáveis, como é o caso das panelas. Como tenho implicância com aquelas panelas carérrimas de inox, que pesam 3 toneladas e o pegador aquece e queima sua mão, e teflon para mim só em frigideiras, então comprei um jogo lindinho de ágata vermelho quando me casei. Não contamina a comida, é baratinho, combina com a cozinha, enfim, ótimo.

Mas acontece que o meu fogão é de uma linha profissional, coisa que eu desconhecia quando o comprei, o que faz com que a chama seja muito alta e a graduação mínima do forno seja a média do normal, o que faz meus bolos de 40 minutos assarem em 20. O resultado foi um período de adaptação com muita comida queimada ( se temos que esperar 30 minutos para abrir o forno quando assamos um bolo em forno comum, até perceber que a matemática de dividir não funcionava, perdi muitos bolos...) e os cabos de baquelite se queimaram então agora tenho só 2 panelas que não perderam os cabos, mas isso é por pouco tempo...

Meu sonho de consumo é uma Le Creuset!!! Tá, eu sei que é caríssima, mas eu sou do tipo de pessoa que não segue moda, então compra coisas que durem bastante, prefere juntar dinheiro e pagar à vista do que parcelar, prefere poucas e boas coisas e dá valor às coisas pelo que elas são e não pelo que custam, então a idéia de uma panela que te dá garantia vitalícia em um mundo de descartáveis muito me atrai. Além do mais, eu detesto fazer compras então quanto menos tiver que voltar a uma loja, melhor.Tem gente que quer um carro do ano, eu quero uma panela!!


Bem mais em conta é outro item da lista de desejos: a sorveteira. Ok, não me importo nem um pouco de fazer sorvetes cremosos usando minha batedeira da década de 70, herdada da mãe. que quando bate o creme espesso diminui de velocidade e emite sons e cheiros bastante preocupantes. Mas para sorvetes de frutas sem leite, sorbets, só com a sorveteira.

Antes de me conhecer o marido era um devorador voraz do sorvete de gordura vegetal hidrogenada, aroma artificial de nata, corantes, estabilizantes, gelificantes, aromatizantes, e outros "antes", conhecido como flocos. Litros por semana. Hoje só consome os caseiros de caramelo, morango, capuccino, doce de leite, banana caramelada...

Como prometido, vou postar os que fiz neste fim de semana, mas perdoem as fotos, pois ainda estou no cabo-de-guerra com minha máquina e, aparentemente, não estou vencendo. Tentem perceber as sementinhas dos morangos e os pedaços de doce de leite no meio do sorvete...!

Sorvete de Morango

3 Caixinhas de morango (beeeemm maduro)
2 Latas de creme de leite
1 1/2 xícara de açúcar
Suco de 1 limão

Geléia de Morango

Lave os morangos e tire as folhinhas. Pique grosseiramente em 3 ou 4 pedaços e ponha na panela. Cubra com o açúcar e deixe pegar ponto de geléia (verifique pondo um pouco da calda em um pires e ao virar, ele deve descer lentamente). Desligue o fogo e ponha o suco de limão para recuperar o azedinho que é natural do morango

Se quiser pedaços de morango no sorvete, separe pouco mais de 1/4 de pedaços da geléia. Bata o restante no mixer ou liquidificador com o creme de leite (com o soro). Bata 3 ou 4 vezes, de hora em hora, na batedeira ou mixer. Quando estiver firme o suficiente para que os pedaços de morango não afundem sozinhos, espalhe-os pela superfície e empurre para que fiquem no centro da massa do sorvete. Não bata mais.
Se for fazer só a geléia, use menos de 1 xícara de açucar.

Sorvete de Doce de Leite

2 Latas de leite condensado
1 Lata de creme de leite
1 Lata de leite
2 gemas

Cozinhe em panela de pressão as 2 latas de leite condensado por cerca de 50 minutos. Leve ao fogo o leite com as gemas até engrossar e deixe esfriar.

Quando as latas estiverem completamente frias (muito cuidado pois conheço pessoas queimadas seriamente no rosto por isso), abra e bata no liquidificador ou mixer com o creme de leite e o leite com gemas.

Se quiser pedaços de doce de leite entremeando o sorvete, reserve 1/2 lata e ponha no freezer. Bata entre 3 e 4 vezes, de hora em hora, e quando estiver firme, tire pedacinhos do doce de leite com a ponta de uma colherinha de café, espalhe na superfície e empurre para o meio da massa de sorvete.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Fim de semana agitado, computador truncado.


Fim de semana é sempre um ótimo motivo para fincar o pé na cozinha e engordar o marido pra ceia de Natal!...

Fiz um monte de coisinhas e vou postando aos poucos pois o computador está com "ataques de perereca-choque-nua" e desliga, me fazendo perder tudo o que escrevi. Para facilitar minha situação, minha câmera está com o temperamento bem semelhante, então ainda estou tentando tirar as fotos ...

Com esse calor insuportável aqui no Rio, disse pro marido que só iria para cozinha fazer coisas que levassem no máximo 10 minutos na frente do fogo, ou seja, os biscoitinhos prometidos dançaram, mas foram substituídos por sorvete de morango, cheio de sementinhas, e sorvete de doce de leite com pedaços do doce entremeando a massa do sorvete. Até que não foi uma troca ruim, não?!?

Vou postar os pãezinhos que são deliciosos e bem levinhos, mas é bom fazer em dia quente e seco, pois já os fiz em dias chuvosos, o que requer mais farinha e deixa a massa mais pesada.

Pãezinhos Colméia

450 g. de farinha de trigo
1/2 pacote de fermento granulado para pão
5 gemas
1/2 xícara de açúcar
2 colheres de sopa de manteiga
250 ml. de leite
1 colher de chá de sal
2 dentes de alho espremidos (se desejar)

Misture o fermento, o açúcar e o leite em temperatura ambiente, ou morno a ponto de conseguir manter seu dedo nele por tempo indeterminado. Ponha a manteiga em temperatura ambiente, as gemas e o sal e misture. Acrescente a farinha aos poucos e, se conseguir trabalhar a massa com menos quantidade de farinha do que o indicado, não ponha o restante.

Ponha em bowl de plástico untado e cubra com filme plástico. Deixe crescer até dobrar de tamanho (cerca de 30 minutos) em local quente como o forno desligado ou o microondas.

Faça bolinhas do tamanho de um limão pequeno e arrume uma encostada na outra em uma assadeira anti-aderente ligeiramente untada. Deixe crescer por mais 30 minutos. Pincele com gema ligeiramente batida com 1 colher de café de água e se quiser, polvilhe com queijo parmesão fresco no ralo grosso, sal marinho, ervas, ou o que desejar.

Asse em forno médio até dourar bem.

Obs. A massa é grudenta, então resista à vontade de colocar mais farinha, ou seu pão ficará pesado.

Obs2. Outras sugestões: enrolar a massa em canudo untado e rechear depois de assado, ou cortar quadrados, espalhar recheios secos e enrolar como rocambole.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Um primeiro post carnivoro de uma menina que (quase) não come carne.


Venho de família italiana (Veneza por parte de pai e Calábria por parte de mãe) e a primeira receita que tenho lembrança de ter participado foi este ragu.

Tinha 8 anos e minha bisa disse que na terra dela existiam muitas maneiras de começar um molho de tomate... e nenhuma delas começava com um abridor de latas! Esta receita era de sua macarronada de domingo, quando todos os filhos, netos, bisnetos, amigos, cônjuges e namorados se reuniam para se sentar à ENORME mesa de alvenaria no jardim, à sombra de gigantescas frutíferas e só sair de lá à noitinha, após uma interminável sucessão de pratos, na mesa dos adultos e na mesa das crianças ( sim, a mesa dos pequenos era separada!).

Mais uma coisa: minha bisa era de uma época em que, aqui no Brasil, a carne moída já era vendida assim, então tinha todo tipo de pelanca, tecido conjuntivo e outras nojeiras junto e, na Itália, ela só tinha o moedor enorme usado para os embutidos, então a carne de peito era picada na ponta da faca.

A farra começava por volta de 9 da manhã: meu tio chegava com CAIXAS de frutas, e as mulheres mais velhas iam para a cozinha começar a ajudar a descascar, picar, temperar e a fazer os petisquinhos (pastéis, lingüicinhas, caponatas, pães...) que saiam da cozinha desde às 11:00 até às 14:00, quando o almoço seria servido.

A bagunça só terminava cerca de 8 da noite, com todos empanturrados e, ainda assim, já combinando o que ia ser feito no próximo domingo, e aceitando de bom grado as sobrinhas caprichosamente arrumadas pela bisa para "mais tarde, quando bater uma fominha..."

Ragú da Julinha

1 Kg. de peito bovino
150 g. de bacon
2 cebolas grandes
250 g. de cenoura
1 salsão
1 Kg. de tomates
1 colher de sopa de açúcar
6 dentes grandes de alho
Louro, salsa, alecrim,
manjericão e manjerona à gosto.
Vinho branco seco.
Deixe a carne em vinha d'alhos (vinho, pouco sal, muito alho, pimenta calabresa, e ervas ) de um dia para o outro.

Em uma panela funda ponha um dedo de azeite e na sua taça, um dedo de vinho. Ponha o bacon para fritar até a gordura desmanchar. Frite a carne até grudar no fundo, dourando sem queimar. Ponha a cenoura em quadradinhos mínimos, refogue um pouco e ponha a cebola em cubos grandes, o alho em lâminas, e o salsão picado pequeno.

Ponha pouco mais da metade do tomate em cubos, com pele e sementes (se quiser tirar as sementes, o tomate perde um pouco da acidez) e a vinha d'alhos e reabasteça sua taça. Ponha o açúcar e cozinhe por cerca de 1 hora em fogo baixo.

Tire a espuma que se formou na superfície ( é ela que deixa o molho ácido), ponha o restante dos tomates até que amoleçam sem desmanchar. Acerte o sal, as ervas e desligue o fogo para que elas não percam o gosto. Sirva com fetuccini.

Serve 5 pessoas famintas.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008


Iiiiiêêêêêêêiiiiii! Primeiro Post! Caramba, como demorou! O projeto já existe há um ano, mas só agora as coisas estão acalmando...

Quais são as razões que levam alguém tímido a escrever um blog? Não sei ao certo, mas eu tinha um monte de motivos.

Eu não conhecia blogs até que buscando no Google sobre a batedeira da Kitchens, caí em um que amei e onde vi tudo o que eu vinha falando há anos na boca de outra pessoa: Ana Elisa do La Cucinetta. Caí nesse mundo sem volta e embriagante, conheci várias outras meninas sensacionais através de seus blogs (Come-se, Trem Bom, Rainhas do Lar, From our Home to Yours, Brigadeiro de Colher, Elvira ) e me pareceu muito lógico alimentar minha busca insana e obsessiva de receitas com as já testadas, comentadas e melhoradas por elas.

Existe também um motivo emocional: sou recém casada e minha mãe faleceu cerca de três meses antes da data em que eu me casaria. A festa foi adiada, mas aconteceu muita coisa em pouco tempo.

Minha mãe sempre usou a comida como forma de demonstrar seu amor e eu aprendi, desde criança, a fazer o mesmo. Adoro cozinhar para aqueles que amo e, na ausência de minha mãe para trocar figurinhas e receitas, faço isso com vocês!